{"id":5295,"date":"2014-07-10T13:55:16","date_gmt":"2014-07-10T13:55:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.graphein.com.br\/?p=5295"},"modified":"2014-09-19T13:19:00","modified_gmt":"2014-09-19T13:19:00","slug":"o-bullying-comeca-aqui","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.graphein.com.br\/?p=5295","title":{"rendered":"O bullying come\u00e7a aqui&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>O ambiente escolar, de modo geral, \u00e9 o lugar onde a crian\u00e7a come\u00e7a a perceber que n\u00e3o \u00e9 o centro das aten\u00e7\u00f5es. Aprender a dividir, esperar a sua vez, aceitar o outro e lidar com desejos n\u00e3o realizados s\u00e3o quest\u00f5es trabalhadas na escola, e que propiciam tamb\u00e9m o in\u00edcio dos relacionamentos sociais fora da esfera familiar.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, quando pais ou educadores n\u00e3o conseguem mediar de forma adequada este processo de inser\u00e7\u00e3o social do indiv\u00edduo, a situa\u00e7\u00e3o acaba fugindo do controle. As crian\u00e7as muitas vezes aprendem a utilizar a for\u00e7a para resolver seus conflitos e desacertos. Uma esp\u00e9cie de \u201cvale tudo\u201d para fazer a pr\u00f3pria vontade.<\/p>\n<p>Esse modelo de conduta vem sendo observado com frequ\u00eancia tamb\u00e9m dentro das escolas. Trata-se do chamado Bullying, um termo considerado novo, mas que carrega consigo atitudes e motiva\u00e7\u00f5es ocultas bem antigas. Apelidos dolorosos, sarc\u00e1sticos, cenas de humilha\u00e7\u00e3o p\u00fablica entre outras a\u00e7\u00f5es, conseguiram marcar a vida de muitas pessoas que, na inf\u00e2ncia, foram v\u00edtimas ou testemunharam essas pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Os personagens b\u00e1sicos desta forma indesej\u00e1vel de relacionamento preocupam muito: tanto o agressor \u2013 aquele que pratica o bullying, quanto o agredido\/oprimido da situa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o, no caso das escolas, crian\u00e7as e jovens que precisam de apoio e media\u00e7\u00e3o dos educadores para que possam construir novas formas de se relacionar, baseadas na empatia e no respeito m\u00fatuo.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, queremos lan\u00e7ar tamb\u00e9m algumas quest\u00f5es sobre o processo, dentro do ambiente escolar. Como esta situa\u00e7\u00e3o se inicia e porque tende a se perpetuar caso n\u00e3o ocorra uma a\u00e7\u00e3o efetiva por parte dos educadores?<\/p>\n<p>Percebemos que, muitas vezes, este processo come\u00e7a com alguns \u201cdisparadores\u201d, tais como as caracter\u00edsticas f\u00edsicas das crian\u00e7as (ser alto, baixo, ruivo, negro), sociais (religi\u00f5es diferentes, vestimentas pouco usuais, sotaques distintos) e tamb\u00e9m emocionais (ser mais t\u00edmida, ter pouca habilidade para se expressar). Ou seja, tudo come\u00e7a quando a crian\u00e7a possui algo que a torne diferente ou quando tem algum atributo pouco valorizado pelo grupo.<\/p>\n<p>Em uma reportagem da Revista Veja, publicada em 11 de Junho de 2014, um destes disparadores foi retratado com mais \u00eanfase: as interven\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas que crian\u00e7as e jovens se submetem para acabar com a \u201corelha de abano\u201d, tamb\u00e9m conhecida como orelha de abdu\u00e7\u00e3o, uma caracter\u00edstica com a qual muitas pessoas nascem e que \u00e9 apontada como causa n\u00famero 1 de bullying nas escolas. \u201cAs crian\u00e7as afetadas se recolhem, interagem pouco com os amigos durante a aula, e essa vergonha pode prejudicar o aprendizado\u201d, afirma a psicopedagoga e diretora do Col\u00e9gio Graphein, N\u00edvea Maria de Carvalho Fabricio.<\/p>\n<p>Os agressores, aqueles que praticam o bullying muitas vezes pertencem a um meio social que tende a rejeitar agressivamente aquele que \u00e9 considerado diferente, outras vezes precisa provar seu valor confirmando como positivas as pr\u00f3prias caracter\u00edsticas, al\u00e9m de refor\u00e7ar sua autoestima de a\u00e7\u00f5es que subjugam os, assim considerados, mais fracos.<\/p>\n<p>Por outro lado, as v\u00edtimas de bullying geralmente n\u00e3o esbo\u00e7am rea\u00e7\u00e3o por sentirem-se incapazes, mesmo quando precisam buscar algu\u00e9m para compartilhar suas ang\u00fastias. N\u00e3o disp\u00f5em recursos, status ou habilidades para reagir, e acabam por perpetuarem-se neste papel. Muitos passam a ter um baixo rendimento escolar e at\u00e9 mesmo se recusam a ir ao col\u00e9gio.<\/p>\n<p>Portanto temos uma situa\u00e7\u00e3o de pap\u00e9is complementares e, caso n\u00e3o haja a interven\u00e7\u00e3o de um terceiro que quebre esta rela\u00e7\u00e3o e ajude seus personagens a constru\u00edrem novas habilidades de relacionamento, ela tende a permanecer inalterada.<\/p>\n<p>Cabe ent\u00e3o \u00e0 escola, espa\u00e7o de aprendizagem e forma\u00e7\u00e3o, ser este terceiro personagem, interromper esse ciclo vicioso atrav\u00e9s do desenvolvimento de atividades baseadas na coopera\u00e7\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o e iniciativa, auxiliando os alunos e oferecendo a eles um novo padr\u00e3o de comportamento a ser imitado e valorizado.<\/p>\n<iframe src=\"http:\/\/www.facebook.com\/plugins\/like.php?href=https%3A%2F%2Fwww.graphein.com.br%2F%3Fp%3D5295&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light\" scrolling=\"no\" frameborder=\"0\" allowTransparency=\"true\" style=\"border:none; overflow:hidden; width:450px;margin-top:5px;\"><\/iframe>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ambiente escolar, de modo geral, \u00e9 o lugar onde a crian\u00e7a come\u00e7a a perceber que n\u00e3o \u00e9 o centro das aten\u00e7\u00f5es. 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